O que é MASTOLOGIA?

As mamas são glândulas modificadas para a produção de leite. Além das células produtoras de leite (ácinos), a mama tem um sistema de ductos que “desemboca” no mamilo. O tamanho da mama não é determinado pela quantidade de ácinos ou ductos, mas pela quantidade de tecido gorduroso. Em outras palavras, mamas grandes ou pequenas têm a mesma capacidade de produção de leite.

O câncer de mama é uma doença comum: uma em cada oito mulheres (12%) terá a doença em algum momento da vida. Felizmente, o tratamento tem evoluído rapidamente, com cirurgias e medicações mais modernas. A cura do câncer de mama dobrou em relação a quem vivia na década de 1980.

A mulher deve procurar o mastologista, médico especialista em mamas, se apresentar:

  • Nódulo palpado;
  • Vermelhidão na pele;
  • Retração do mamilo;
  • Aumento do volume de uma das mamas;
  • Secreção no mamilo (ocorrendo espontaneamente, sem apertar);

A maioria dos casos de câncer de mama não é genética. Apenas 5 a 10% dos casos são hereditários, familiares. Podemos suspeitar de câncer genético em algum destes cenários:

  • Familiar com câncer de mama antes dos 45 anos de idade;
  • Duas pessoas do mesmo lado da família com câncer de mama, uma delas com menos de 50 anos de idade;
  • Familiar do sexo masculino com câncer de mama;
  • Familiar com câncer de ovário;
  • Três familiares do mesmo lado com outros tipos de câncer, além de mama (próstata, pâncreas, estômago, melanoma, sarcoma, tireóide, cólon, cérebro).

Radioterapia na infância, mamas densas, antecedente de lesões pré-malignas (hiperplasia atípica), obesidade, dieta rica em gordura animal, tabagismo, sedentarismo, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal também aumentam o risco de câncer de mama. Por outro lado, gravidez e amamentação são fatores protetores, diminuindo o risco.

A mamografia não previne o surgimento do câncer, mas previne que ele se torne avançado. Para se ter uma ideia, um nódulo deve ter de 2 a 3 centímetros para que possa ser palpado. No entanto, a maioria dos nódulos diagnosticados na mamografia são menores que 2 centímetros – 50% são menores que 1 centímetro.

O tratamento muda radicalmente a depender do tamanho. Em tumores menores que 2 centímetros, nem sempre a quimioterapia é necessária; e a chance de cura é maior.

Por melhor que seja um exame, ele não consegue separar apenas as pessoas que tem a doença. Em geral, os exames trabalham com uma margem de segurança. Há muitos casos em que o exame acusa alguma anormalidade, mas a pessoa não tem doença. Esses casos são chamados de falso-positivos.

O risco de ter um resultado falso-positivo no exame de mamografia é de 2 a 3% no primeiro exame, e 0,8 a 1,5% nos exames subsequentes. O risco diminui se a mulher guardar os exames anteriores, e disponibilizá-los ao médico para comparação de um ano para outro. Muitos resultados falso-positivos poderiam ser evitados se as mulheres guardassem seus exames. Por exemplo, um nódulo antigo não pode ser maligno se continuar sempre com o mesmo tamanho há vários anos; neste caso, a mamografia poderia ser laudada como normal.

A radiação que se recebe para fazer uma mamografia (0,7 mSv) não é maléfica para a saúde. Para se ter uma ideia, a radiação de uma tomografia de abdome equivale a cerca de 20 vezes este valor (10-14 mSv).

Em resumo, a Sociedade Americana de Câncer recomenda que:

  • Mulheres de 40 a 45 anos podem optar por realizar a mamografia anualmente;
  • Mulheres entre 45 e 55 anos devem realizar a mamografia anualmente;
  • Mulheres após os 55 anos devem realizar a mamografia, mas o intervalo pode ser anual ou bienal, (desde que não estejam em uso de hormônios).

Existem diversas modalidade de tratamento. No passado, todas as pacientes faziam mastectomia (retirada das mamas). Hoje, esta cirurgia fica reservada aos casos mais avançados. Pode-se, com segurança, retirar apenas o tumor, e complementar com radioterapia. Se, de qualquer forma, a mastectomia for inevitável, geralmente é possível preservar a pele sobre a mama, retirar a glândula por dentro, e reconstruir o volume mamário com prótese de silicone ou gordura abdominal.

Algumas pacientes com tumores de tipo mais agressivo também precisam fazer quimioterapia, para diminuir o risco de a doença recidivar. Quando falamos em “tipo” não nos referimos apenas ao tamanho, mas às características internas do tumor, sua biologia e carga genética. A sobrevida em geral é boa: próxima de 80% para os tumores mais agressivos e acima de 95% para os tumores menos agressivos.

Chama a atenção que, no Brasil, as mulheres não estão realizando mamografia regularmente. O INCA (Instituto Nacional do Câncer) informou que, das 10 milhões de mamografias esperadas para 2013 (de acordo com o numero de mulheres na faixa etária dos 50 a 60 anos) apenas 2,5 milhões foram feitas – uma cobertura de apenas 25%! Além disso, na maioria dos outros países, as mortes por câncer de mama estão diminuindo, enquanto no Brasil estão aumentando! Temos um sistema de saúde público com muitas dificuldades: a fila da quimioterapia demora 76 dias e a fila da radioterapia, 113 dias. Que estes números nos conscientizem da importância de se realizar a mamografia anualmente.

Conte com o mastologista: ele foi treinado para interpretar seus resultados e traçar um plano de tratamento, tanto para doenças benignas como malignas da mama.

 

Dra. Jordana Faria Bessa

Médica Mastologista do Hospital Stella Maris

CRM – 144-252

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